Antes de colocar a "culpa" na criança que não "obedeceu", pense se o seu pedido realmente fez sentido para ela.
Vou dar um exemplo: nos dias frios pedimos que nossos filhos se agasalhem bem para que não fiquem gripados. Os maiores até podem entender, porém, pedir a uma criança que coloque bastante roupa pode parecer pouco atraente.
Criança quer brincar, quer se movimentar e odeia ficar "entrouxada". As luvas atrapalham, a toca é chata, a manta não fica no lugar, o casaco grosso incomoda, etc. Esta é a visão de uma criança pois brincar é o que importa para ela.
Entre o brincar e "você precisa ficar quentinho", com certeza, para ela, o brincar vence.
Então se você repetir e repetir que ela não tire o casaco, que coloque o casaco porque ela ficará doente, isso não será tão significativo para ela o quanto é para você.
Então, dê tempo para a sua criança e não apenas mande e diga o que você quer que ela faça mas converse com ela.
Faça com que ela entenda o que acontece quando ela não se agasalha bem. Não diga apenas: "você vai ficar gripado", isso pode ser pouco para que ela mude de atitude.
Faça algumas perguntas e deixe que ela mesmo responda e conclua.
Ficamos mais doentes no verão ou no inverno?
A vacinação contra a gripe ocorre quando? Por que será?
Quando ficamos com febre? Por quê?
Nosso corpo aquece quando estamos com algum "bichinho do dodói" por quê?
Será que o "bichinho" gosta do calor que o nosso corpo faz?
Quando o corpo aquece e aquece o "bichinho" fica mais forte ou mais fraco?
O vírus da gripe gosta do frio ou do calor? Ele fica mais forte no verão ou no inverno?
Um casaco deixa nosso corpo mais quente? O vírus da gripe gosta disso?
Quando ficamos sem casaco e está frio o que é que acontece?
Nosso corpo gasta energia para se aquecer quando está frio?
O "bichinho da gripe" entra mais fácil em um corpo frio e com menos energia ou em um corpo quentinho e com mais energia para "lutar" contra ele?
Esse é apenas um exemplo. Conversando com as crianças na linguagem delas e dando parte do seu tempo para esta conversa você mostra para a criança que o assunto é realmente importante.
Pedir para colocar o casaco, por exemplo, não significa tanto quanto uma conversar sobre o assunto. Não é necessário uma conversa longa e demorada, alguns minutinhos já bastam e o recado que fica para a criança é que se a conversa é um pouco mais demorada é porque deve ser importante.
Além disso, quando você dá tempo para a sua criança e conversa com ela de uma maneira diferente do apenas "pedir" ou "mandar" você estará dando a ela a chance de realmene entender aquilo que você está tentando dizer e não consegue.
Não é uma fórmula mas pode dar certo. Vale a pena tentar.
Este texto faz parte de um blog, "Pais 24 horas" que iniciei em 2010 e que não foi mais atualizado. Nele falo sobre coisas que deram certo na educação de meus filhos e certezas que fui construindo na minha caminhada como mãe. Filhos, pequenos ou grandes, devem sempre ser educados com amor. Um filho que, desde bebezinho, recebe carinho e atenção retribuirá carinho e atenção. Filhos tratados com descaso, desatenção ou impaciência, muito provavelmente, tratarão da mesma forma os pais ou os adultos que participam ativamente de sua educação. Filhos que abraçam e conversam provavelmente tem pais ou outros adultos educadores que agem da mesma forma. Crianças que gritam e agridem provavelmente aprenderam com outras pessoas que é gritando e agredindo que se consegue aquilo que se quer. As crianças ou jovens repetem, de alguma forma ou de outra, as ações e os exemplos dados pelos adultos.
Com carinho,
Cristina Meirose
Cristina Meirose
