Uma Breve Reflexão sobre o Desenho Infantil / Artigo

 


Uma Breve Reflexão sobre o Desenho Infantil

Quando a criança está na escola é acompanhada o tempo todo pelos olhos atentos dos educadores que, entre muitas outras coisas, estudaram sobre psicologia e o desenvolvimento infantil. 

Em casa, na grande maioria das vezes, os pais não tem esta formação e torna-se mais difícil acompanhar o desenvolvimento de seus filhos através desta linguagem tão importante para o pleno desenvolvimento das crianças. 

Muito livros, blogs e sites falam sobre as etapas do desenvolvimento da criança tendo em vista sua avaliação motora e cognitiva através do acompanhamento e observação do desenho infantil. 

Para os pais curiosos que gostariam de se aprofundar mais no assunto indico os textos e livros da Arte Educadora Mirian Celeste Martins. São didáticos e muito acessíveis e geralmente lançam propostas práticas que podem ser realizadas com as crianças. 

Gostaria também de colocar algumas premissas básicas sobre como proceder em relação ao desenho ou qualquer outra criação autêntica dos pequenos. 

Em primeiro lugar é preciso olhar e respeitar o que a criança desenhou. Estimular sua linguagem verbal conversando sobre o que ela desenhou. Escute a história que ela tem para contar, faça perguntas, fique curioso, estimule a fala, a criatividade, tudo muito importante para que ela se desenvolva estimulando ao máximo sua criatividade que logo mais será necessária e fundamental para toda a sua vida. 

Para a criança tudo é novidade assim como também é a sua experiência com o desenho. 

Para os pequenos que estão começando a engatinhar nos primeiros traços e muitas vezes ainda não se comunicam através da fala, ofereça materiais como giz de cera, sempre cuidando para que não sejam levados à boca, comidos ou engolidos. 

Estimular o desenho, a criatividade dos pequenos, não é apenas observar o produto final, mas sim acompanhar o processo. 

Desenhar na terra com galhos de árvores ou outros elementos da natureza caídos no chão, utilizados com respeito, nunca arrancados, dá à criança a oportunidade do contato com a natureza e permite extravasar a criatividade. 

Sempre, mais uma vez, com acompanhamento e monitoramento. 

Além do desenho, a pintura também é excelente para que a criança possa desenvolver e manifestar sua criatividade e exteriorizar suas emoções. 

Existem muitas tintas comestíveis que podem ser feitas em casa e que são perfeitas para as primeiras experiências. 

Usar as mãos e os pés será muito divertido antes do domínio sempre natural de outras ferramentas como esponjinhas, carimbos com sucatinhas, folhas, pincéis, etc. 

Participe de um "momento pintura com seu filho", deixe que ele fique curioso vendo a sua produção e que parta dele a vontade de testar novas técnicas. Nunca force ou exija uma performance que ele ainda não vivenciou e não tem. 

Se ele ficar curioso deixe que ele dê seus primeiros traços, assim como deu seus primeiros passos ao caminhar. Deixe que se sinta seguro, respeite sua capacidade, confie nele, admire e vibre com a produção de seu pequeno. Ele se sentirá feliz, seguro e estimulado para seguir adiante. 

O que estou tentando dizer é que, seja uma criança pequena em seus primeiros anos, ou uma criança de 8, 12, ou até um adolescente, respeite sempre a sua autenticidade e criação. 

Já, desde cedo, algumas crianças se fixam e desenvolvem uma ideia, uma narrativa ou conceito. Outras primam pela qualidade e detalhe dos traços, das cores e detalhes. 

Enquanto umas enchem, por exemplo, uma folha de pequenos desenhos que contam uma história, muitas vezes com traços simples mais muito cheios de significados, outros desenham um ou dois elementos, muito bem detalhados, com traços, cores, formas e muitas vezes até, sugerindo movimento. 

Poderia dizer que se tem aí uma forma e um conceito. São criações riquíssimas e diferentes. Uma em seus detalhes geralmente pequenos e não coloridos, conta uma narrativa, conta uma história. A outra mostra um personagem, um sujeito, cheio de detalhes e significados únicos e, também, uma história única.

Como pais muitas vezes não entendemos essas diferenças e nos preocupamos com o desenho pequeno e sem cor. Esquecemos, porém, de olhar para o seu riquíssimo significado. Muitas vezes não estamos prontos para interpretar o desenho de nossos filhos, por conseqüência, subestimamos sua rica linguagem e criatividade. 

Lembram daquela brincadeira que mostra uma folha em branco e alega que o autor é um grande Artista? A folha em branco em questão mostra uma vaca que comeu todo o pasto e depois foi embora. 

É engraçado e é só um exemplo divertido mas de certa maneira exemplifica bem que a linguagem não está somente no desenho, está também na ideia, na fala. 

Não recrimine ou jogue fora uma ideia ou criação autêntica de seu filho. Valorize, o mundo precisa de pensadores e pessoas criativas! 

Em resumo, participar do processo, não forçar mas sim estimular e respeitar as diferenças é contribuir para a construção de um ser humano mais feliz, mais seguro, mais autêntico e que também crescerá respeitando as diferenças e valorizando cada um do jeito que é e que não irá subestimar a importância, a necessidade e o poder da diversidade. 

É contribuir para a construção de um mundo melhor, mais justo e feliz para todos. 

Com carinho,
Cristina Meirose